A Saga de "Guerra nas Estrelas" continua...
Com o aval da 20th
Century Fox, George Lucas começou os preparativos para a segunda
aventura de sua saga espacial, agora com um orçamento mais generoso e
prazos mais flexíveis. Ele decidiu ficar apenas como produtor
executivio, administrando o orçamento de 18 milhões de dólares, chamou
Irvin Kershner (Os Olhos de Laura Mars) para a cadeira de diretor e
entregou a Laurence Kasdan e Leigh Brackett um rascunho da história
para que elaborassem o roteiro. Porém, um grave acidente de carro
sofrido pelo ator Mark Hamill deixou-o com o rosto desfigurado, algo
impossível de ser disfarçado mesmo com as técnicas de maquiagem. Para
justificar a mudança no rosto do ator, os roteiristas fizeram com que
seu personagem fosse atacado por um monstro das neves (um Ice Wampa)
que o atinge de imediato no rosto logo no início do filme. A solução
trouxe mais problemas para a equipe técnica que não conseguiu criar um
monstro convincente e a cena iria ser cortada do filme quando um boneco
foi construído às pressas, e com alguns closes rápidos na criatura, ela
acabou sendo concluída, embora não da forma como Lucas e o diretor
Kershner gostariam.
A
ação se passa três anos depois de "Uma Nova Esperança", com o título de
"Episódio V - O Império Contra-Ataca", mostra justamente a resistência
rebelde sofrendo um terrível revés na luta contra as forças imperiais.
O ritmo de história em quadrinhos imposto pela direção fica evidente na
montagem ágil e nos cenários diversos, começando no gelado planeta de
Hoth, prosseguindo no espaço com a perseguição dos cruzadores à pequena
nave de Han Solo, Millennium Falcon, no pantanoso planeta Dagobah onde
Luke inicia seu treinamento na Força com o mestre Jedi Yoda ou na
fantástica Cidade das Nuvens, onde Luke e Vader se enfrentam pela
primeira vez.
Apesar da evolução na criação dos efeitos, Lucas
sofreria com a limitação de recursos na época: primeiro, com o monsto
das neves, e depois com a Cidade das Nuvens. Na impossibilidade de
mostrar a cidade por fora devido aos custos com cenários externos,
limitou-se a ser vista por dentro, de forma quase claustrofóbica. O
produtor Gary Kurtz encarou as novas dificuldades com a variedade de
cenários que o filme exigia. Primeiro, filmaram na Escandinávia,
durante o inverno mais rigoroso dos últimos 50 anos, com uma
temperatura em média 20 graus negativos. E o restante filmado novamente
nos estúdios de Londres usados para o primeiro filme.
A
inclusão de novos personagens levou os técnicos da ILM a um novo nível
de desafio, principalmente pela criação do Mestre Jedi Yoda, de meio
metro de altura. Criado por Stuart Freeborn, o duende verde Yoda,
habilmente manipulado pelo especialista dos Muppets, Frank Oz, que o
movimentava sob uma plataforma construída a pouco mais de 1 metro do
chão. Outros personagens novos foram o caçador de recompensas Bobba
Fett e o amigo de Solo e administrador da Cidade das Nuvens, Lando
Calrissian, vivido pelo ator Billy Dee Williams, ex-galã de Diana Ross.
O filme mostra Vader fazendo uma surpreendente revelação (se você não
sabe qual é, eu é que não vou dizer!) e a cena, fundamental para a
continuidade da saga, foi mantida em segredo de toda a equipe e mesmo
dos atores, até o momento de filmarem a sequência definitiva. O
orçamento extrapolou em 10 milhões de dólares os custos originais, que
Lucas tirou do próprio bolso, não querendo submeter-se a novas
restrições orçamentárias por parte do estúdio.
Na
época, as associações de cinema, que já haviam dado uma licença a Lucas
para jogar os créditos de abertura para o final do filme no primeiro
episódio, desta vez foram inflexíveis, exigindo que Lucas colocasse os
créditos no início, o que quebraria a estrutura de sua trilogia. Alan
Ladd, o braço direito e homem de confiança de Lucas na 20th Century Fox
não suportou as pressões do estúdio e foi obrigado a pedir demissão. A
associação de Diretores, de Roteiristas e de Cinema dos Estados Unidos
moveram uma multa no total de 250 mil dólares que Lucas pagou, mas a
falta de acordo desta vez o fez tomar uma atitude radical: desligou-se
dos sindicatos e lançou o filme sem o apoio de nenhuma instituição
cinematográfica. A personalidade independente e rebelde do diretor,
mais uma vez, iria revolucionar o cinema também no que diz respeito aos
créditos - jogados para o final desde então, nas grandes produções de
Hollywood.

A
mistura de gêneros que vai desde a mais pura aventura espacial,
passando por sequências de videogame como a batalha no gelo em Hoth e a
perseguição através do cinturão de asteróides, inserindo romance por
meio de diálogos inspirados entre Léia e Solo, frases metafísicas e
ironias filosóficas ditas por Yoda e pela ação quase ininterrupta e um
clima de suspense sombrio, tornaram o "Episódio V" o preferido de
muitos fãs. O filme recebeu um Oscar especial para os efeitos visuais,
além de vencer na categoria de Melhor Som em 1980.
O
IMPÉRIO CONTRA-ATACA
Ficha Técnica:
Título Original: The Empire Strikes Back
Gênero: Aventura/Ficção Científica
Tempo de Duração: 124 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1980
Site Oficial: www.starwars.com/episode-v
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Irvin Kershner
Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, baseado em estória de George Lucas
Produção: Gary Kurtz
Música: John Williams
Direção de Fotografia: Peter Suschitzky
Desenho de Produção: Norman Reynolds
Direção de Arte: Leslie Dilley, Harry Lange e Alan Tomkins
Figurino: John Mollo
Edição: Paul Hirsch e Marcia Lucas
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic
Elenco:
Mark Hamill (Luke Skywalker)
Harrison Ford (Han Solo)
Carrie Fisher (Princesa Leia Organa)
Billy Dee Williams (Lando Calrissian)
Alec Guiness (Obi-Wan Kenobi)
Anthony Daniels (C3PO)
Kenny Baker (R2D2)
Peter Mayhew
(Chewbacca)
David Prowse (Darth Vader)
James Earl Jones (Darth Vader - Voz)
Frank Oz (Yoda - Voz)
Jeremy Bulloch (Boba Fett/Tenente Sheckil)
Clive Revill (Imperador Cos Palpatine - Voz)